
Alfazema, a erva do amor
Perfume tem o poder de despertar uma incrível sensação de bem-estar. Desde a Antiguidade o homem tem feito das fragrâncias suas fiéis aliadas. Seja como armas de sedução ou símbolos de fé. Sagrado e profano em profícua conjunção. Cheiro bom do sincretismo que agrega peles, raças, religiões. Registro de emoções dos tempos passados e de outros que estão por vir.
Respiração e perfume se irmanam. Pois o ar necessário à sobrevivência nos invade da mesma maneira que os odores. De todos os sentidos humanos, o olfato é o único vital.
Durante nossa existência, colecionamos olfativamente as mais diferentes sensações. O perfume de terra molhada quando chove. Da maresia nas férias curtidas á beira-mar. Quem sabe do jasmineiro que, ao anoitecer, exala uma fragrância adocicada. Ou da suave alfazema presente na infância. Seiva de um Brasil rico em cheiros.
Ramos de alfazema [cultivada pelas famílias nos jardins de casa] costumavam ser colocados dentro dos travesseiros. Sabedoria popular. Alfazema purifica, acalma, alivia dores de cabeça e tonturas. Estudos científicos já constataram que o seu cheiro é eficaz até para curar insônia.
A História comprova: alfazema perfuma os espaços terreno e divino.
No Brasil, é batizada como “erva do amor”. Seu banho deixa a pessoa mais atraente. Por outro lado, ela suscita desconfiança. Reza a lenda que cobras venenosas se escondem embaixo dos seus arbustos, fazendo desconfiarem da planta. Inocente, ela é sinônimo de lavanda e produz uma singela flor azul-arroxeada.
A alfazema também ganha a dimensão espiritual no espaço do imponderável. Perfuma os rituais do candomblé quando é acrescentada à água-de-cheiro [ou “amassi”], em cujo preparo se misturam folhas odoríferas maceradas em água. Está presente ainda em manifestações populares na Bahia, como a tradicional Lavagem do Bonfim e o desfile do bloco Filhos de Gandhi, no Carnaval.
Diz-se que quando um “Gandhi” borrifa com alfazema uma foliã, esta não resiste ao seu encanto...
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